sábado, 24 de agosto de 2013

20 álbuns para ouvir antes de morrer



Neste primeiro post vou fazer uma lista de 20 álbuns que eu acho que todos deveriam ouvir. Notem que não há ordem de preferência e que há todos os tipos de gêneros, do thrash metal ao eletrônico, tanto brasileiros quanto estrangeiros, portanto, é a MINHA opinião. Façam também as suas listas.


1 – Unknown Pleasures – Joy Division (1979)
É gélido, é pessimista e, muitas vezes, depressivo. Um disco que até hoje influencia os mais variados gêneros do rock. Um baixo pulsante (Peter Hook), uma bateria reta e forte (Stephen Morris), guitarras econômicas mas de extrema competência (Bernard Sumner), ocasionais teclados que dão um clima fantasmagórico e, o principal, as letras e vocais desesperados de Ian Curtis. Ouça “New Dawn Fades”, por exemplo, e tire suas próprias conclusões. Uma obra-prima.

2 – Trans-Europe Express – Kraftwerk (1977)
Talvez tenha sido o disco que eu mais tenha escutado na vida. Eu tinha uns 10, 11 anos quando o ouvi pela primeira vez. Até hoje não sei como foi parar lá em casa (talvez por causa da capa, acho que pensaram que era um grupo de seresta, rsrs). Se hoje você ouve música eletrônica (que seja relevante, óbvio) é graças a esses senhores aqui (até hoje na ativa). O álbum em si é uma celebração à tecnologia e à modernidade. A música “The Hall of Mirrors” ficou bastante conhecida no Brasil graças a um comercial de sapatos da década de 1980 (Starsax, quem viveu na época deve lembrar).

3 – Psychocandy – The Jesus and Mary Chain (1985)
Nunca um nome de um álbum foi tão apropriado (“doce psicótico”). É exatamente isso que temos aqui: melodias doces e pop soterradas por uma feroz barragem de microfonia e atitude punk. Some-se a isso uma bateria composta apenas por caixa e surdo, um baixo de duas cordas e pronto: temos uma das principais bandas dos 80’s, que influenciou meio mundo, de Pixies a Nirvana. A temática das letras vai da ode disfarçada ao sexo oral (“Just Like Honey”), romantismo (“Taste of Cindy”) e hedonismo (“The Living End”).

4 – Reign in Blood – Slayer (1986)
Agora um pouco de (ou melhor muita) brutalidade! Considerado o melhor álbum da carreira do Slayer por muitos, este é um dos discos mais rápidos e pesados já gravados. Quando o escutei pela primeira vez (numa fita cassete, por volta de 1987-88) fiquei simplesmente paralisado. O que porra era aquilo?? Tratando de temas como guerras, tortura, assassinatos seriais, holocausto e, acima de tudo, com uma atitude totalmente anticristã, o Slayer não deixava pedra sobre pedra com esta obra-prima completamente não indicada para ouvidos sensíveis.

5 – Somewhere in Time – Iron Maiden (1986)
Este é, para mim, o melhor álbum do Iron Maiden. Também foi o primeiro deles que comprei. O que temos aqui é o Iron Maiden explorando temas de ficção científica (“Caught Somewhere in Time”, “Strange in a Stranger Land”), de paranormalidade (“Deja-Vu”), além de um épico histórico (“Alexander the Great”). Quantos bandas você conhece que conseguem fazer música com tal temática? Neste disco eles usam guitarras sintetizadas pela primeira vez e unem peso e melodia na medida certa.

6 – Bonded by Blood – Exodus (1985)
Um dos melhores álbuns de thrash metal de todos os tempos e também uma das melhores estreias. Violento e insano, este disco conta com os maravilhosos vocais de Paul Baloff, além de tudo o mais que agrada os fãs de uma boa pancadaria: riffs faiscantes, bateria descendo o cacete nos pedais duplos e um baixo seguindo a porrada. Mesmo apesar de uma produção não muito boa (aliás, uma característica das bandas de metal extremo da época) temos agressividade em estado bruto neste discaço.


7 – Chaos A. D. – Sepultura (1993)
Esqueça aqueles “artistas” que se apresentam para brasileiros que moram no estrangeiro e acham que têm uma “carreira internacional” ou aqueles que têm uma única música executada em certos países da Europa. Uma das poucas bandas brasileiras com reconhecimento internacional de fato, o Sepultura, com este disco, consolidava carreira na gringolândia. Ainda com uma sonoridade que pagava bastante influência do thrash metal, aqui e ali (por exemplo, “Refuse/Resist”, “Kaiowas”) já dá pra notar certas características que os consagrariam já no ábum seguinte, Roots.

8 – Disintegration – The Cure (1989)
Um disco sombrio e ao mesmo tempo com uma veia pop inequívoca, Disintegration levou o Cure a um novo patamar de popularidade. Músicas como “Lovesong” e “Pictures of You” são românticas e, ao mesmo tempo, desesperadas. Não se engane, não são canções de amor, mas de perda. Todo o disco gira em torno de sentimentos de perda, até mesma aquela que poderia ser considerada a música mais “alegre” do álbum (“Lullaby”) é a descrição de um pesadelo. Em suma, maravilhosas canções agri-doces para escutar tomando um bom vinho.

9 – The Queen Is Dead – The Smiths (1986)
Terceiro (e último)álbum de estúdio dos Smiths e aquele que captura a dupla Morrissey/Marr em seu auge criativo. Melodias límpidas e solares trabalhadas com camadas de guitarras, cordas e baixo e bateria super entrosados, contrapõem-se às letras entre irônicas e desesperançadas. Também é digna de atenção a interpretação de Morrissey, dá pra ver que ele sente cada verso que canta. São deste disco três das melhores músicas da banda “There’s a Light That Never Goes Out”, “The boy with the Thorn in His Side” e “Bigmouth Strikes Again”.

10 – Novo Aeon – Raul Seixas (1975)
Quarto disco do maior artista do rock brasileiro, na época do seu lançamento foi considerado um fracasso comercial. Mas não se enganem este é um dos melhores álbuns do Maluco Beleza. Mais uma vez misturando de tudo em seu caldeirão temos aqui iê-iê-iê (“Tu És o MDC da Minha Vida”), rockabilly (“Rock do Diabo”), psicodelia (“Sunseed”), e até uma música “infantil” (“Peixuxa, o Amiguinho dos Peixes”)co-composta por Mauro Motta, um dos dirigentes da organização ocultista Astrum Argentum (!!).

11 – Tom Zé – Tom Zé (1968)
Este é o álbum de estreia de Tom Zé. Misturando música de vanguarda, samba, bossa nova, rock, música caipira e o caralho a quatro Tom consegue fazer uma obra única. É o tropicalismo em sua melhor definição. E as letras, então? Que saudade do tempo em que as músicas tinham o que dizer! Não sei como a censura da época permitiu o lançamento deste disco, talvez pelo fato de ter sido lançado por um selo pequeno, o Rozemblit, de Recife. Apesar de exatos 45 (!!) anos de seu lançamento, infelizmente toda a temática deste play continua atualíssima, vejam, por exemplo “Profissão Ladrão”, “Sabor de Burrice” e “Parque Industrial”, só para citar três.

12 – Zé Ramalho – Zé Ramalho (1978)
Antes de lançar este álbum Zé Ramalho já tinha feito pelo menos uma obra-prima da psicodelia nacional ao lado do pernambucano Lula Cortes, o lendário e estupendo Paebirú, além de ter tocado na banda de Alceu Valença. Neste seu primeiro disco solo temos alguns clássicos do seu repertório (“Avôhai”, “Vila do Sossego”, “Chão de Giz”), entre outras menos conhecidas mas também marcantes como “Dança das Borboletas” e a instrumental “Bicho de 7 Cabeças”.Sonoramente já temos aqui o mix rock/pop/baião característico de sua carreira, juntamente com as letras herméticas.

13 – Love – The Cult (1985)
Este para mim é o melhor disco do Cult. Apesar de ter lançado bons álbuns depois, nenhum se compara ao Love. Perfeito em sua mistura de psicodelia, gótico e hard rock, o que ouvimos aqui são alguns dos maiores clássicos da banda como “She Sells Sanctuary”, “Love, “Black Angel”, “Rain”, etc. Aliás, o disco inteiro é ótimo, Billy Duffy está desfiando ótimos riffs, enquanto Jamie Stewart faz a cama com vários bateristas de estúdio. Pairando sobre tudo isso, porém, está Ian Astbury, com um dos vocais mais cool dos anos 80, além de ter uma incrível presença de palco (confira o clip de “She Sells Sanctuary”, por exemplo).

14 – Nós Vamos Invadir Sua Praia – Ultraje a Rigor (1985)
Um dos melhores discos de rock’n’roll lançados no Brasil em todos os tempos, Nós Vamos Invadir Sua Praia emplacou nada menos que 9 hits (de suas 11 faixas) na época. Aliando ironia, crítica e muito bom humor a um instrumental pesado e coeso, o Ultraje mostrava que podia haver vida inteligente no rock brasileiro da época sem precisar ser “engraçadinho” e fazer um som anêmico e sem personalidade. Temos aqui uma porrada de clássicos do rock dos 80’s, como “Inútil”, “Rebelde sem Causa”, “Eu Me Amo” e a faixa título.

15 – Cabeça Dinossauro – Titãs (1986)
O melhor álbum do Titãs (ao contrário de algumas pessoas também gosto muito do Titanomaquia). Estilisticamente variado (punk rock, hardcore, funk pesado, reggae) o play marca uma virada na carreira do grupo depois de uma estreia fraca e um segundo álbum com algumas boas ideias. Temos neste disco os maiores clássicos da banda (“Homem Primata”, “Família”, “Igreja”, “Polícia”. “O Quê”, etc.).


16 – Seven Churches – Possessed (1986)
O disco abre com um tema do Mike Oldfield (!!) e, a partir daí, temos uma sequência monstruosa de riffs, variações rítmicas, vocais mais gritados que guturais e temas satânicos. O trabalho das guitarras é matador, cortesia de Mike Torrao e Larry LaLonde (que depois tocaria no Primus!!), o baixo faz o feijão com arroz e o som da bateria, apesar de insano, é um pouco prejudicado pela produção. Já os vocais de Jeff Becerra soam como se Cronos do Venom tivesse tomado uns 3 quilos de anfetaminas. Como o Slayer, não indicado para ouvidos sensíveis.

17 – Marquee Moon – Television (1977)
Lembra do Strokes, que uma vez foi saudado como “a salvação do rock”? Pois bem, o Television já fazia muito melhor tudo o que o Strokes tentava fazer pelo menos uns vinte anos antes. Marquee Moon é um desses discos que você não sabe como rotular, a não ser como rock’n’roll de alta qualidade. Faixas como “Venus” (minha preferida), “I See no Evil” e “Friction” antecipam muito do rock produzido por bandas como Arctic Monkeys e Franz Ferdinand.

18 – Mondo Bizarro – Ramones (1992)
O Ramones nunca foi um grande sucesso de público nos EUA, apesar de serem super influentes, tanto que este disco só chegou ao top 200 por lá. Só que em outras partes do mundo (Brasil, Argentina e México, especialmente) a história era bem diferente. Mondo Bizarro foi o álbum do Ramones que mais vendeu por aqui e contém músicas matadoras como “Poison Heart”, “Anxiety” e um cover ótimo para “Take It as It Comes”, do Doors. Se você nunca ouviu Ramones deveria se envergonhar. Este álbum é uma boa chance de começar.

19 – O Concreto já Rachou – Plebe Rude (1987)
Vindos de Brasília (como o Legião Urbana) a Plebe Rude fazia um som mais pesado e “sujo”, com temas mais políticos. Neste EP de estreia temos os maiores clássicos da banda, como “Proteção”, “Até quando Esperar”, a faixa título e “Johnny Vai à Guerra”. Mesmo não tendo grandes vocalistas que se destacassem (Jander Bilaphra e Felipe Seabra), a banda conseguia se impor com um instrumental coeso com os dois citados nas guitarras e uma cozinha muito competente de Gutje (bateria) e André X (baixo).

20 – Mais Podres do que Nunca – Garotos Podres (1986)
Um dos discos independentes de maior sucesso do Brasil, este álbum marca o debut do Garotos Podres em um disco só deles (já tinham participado da coletânea Ataque Sonoro). Punk rock/oi! de primeira qualidade temos aqui um play repleto de clássicos como “Anarquia Oi”, “Papai Noel Velho Batuta”, “Johnny”, “Eu não Sei o que Quero” e a polêmica “Führer”. Combinando crítica política e social com muito humor (negro) e irreverência, a banda consegue soar muito bem em um disco gravado em uma mesa de apenas 8 canais. Isso é que é punk rock!!